Quais as principais dificuldades em ser mágico a tempo inteiro?
Em geral, o nosso trabalho depende da disponibilidade das pessoas para entenderem a cultura como essencial nas suas vidas. Se mais pessoas nutrirem o gosto por assistir a espectáculos ao vivo ou preferirem programas de entretenimento aos de suposta ficção amadora, então eu, os mágicos e, mais importante ainda, os artistas em geral poderão desempenhar a sua função na sociedade. A arte e a cultura são justamente alguns dos factores que nos separam de uma vivência puramente animal.
Em particular, e no meu caso em concreto, sempre encontrei na minha profissão alguns paralelismos com os gladiadores da Roma antiga. Em cada ida ao coliseu um gladiador tinha que lutar com um leão. Poderia sempre ser o último combate. Se ganhasse e sobrevivesse, regressava então a casa com o direito a voltar a arriscar a sua vida no próximo “espectáculo”. É assim que me vejo cada vez que subo a um palco. Sinto que tenho que dar o melhor para voltar, no próximo espectáculo, a merecer o benefício da dúvida, as expectativas dos meus espectadores e, quem sabe, o aplauso final.
Um médico ou um advogado dificilmente vê a sua carreira posta em causa se um doente lhe morrer nas mãos ou se o seu cliente for condenado. No meu caso, o revés equivalente significaria menos espectadores e, naturalmente, menos oportunidades para poder partilhar a minha arte.
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