(R)evolução Global

Luis de Matos - Thursday, October 20, 2011 - Comentários (0)

No passado dia 15 de Outubro milhões de pessoas, em 951 cidades de 82 países, uniram-se num protesto global que reclama uma democracia real e participada. Pela primeira vez, cidadãos do mundo inteiro puderam, mutuamente e em simultâneo, rever-se nas acções daqueles que noutras paragens, no mesmo dia e à mesma hora, lutavam com a mesma força, o mesmo objectivo e, acima de tudo, a mesma indignação. A onda “15 de Outubro” veio abrir a caixa de Pandora ao traduzir numa simples percentagem uma realidade de que nunca se fala muito: 99% ! Grosso modo, este valor representa o número de indignados por comparação ao conjunto de indivíduos que tomam decisões em nome do povo.

Não é preciso ser um génio para perceber que o mundo está a mudar. Sempre esteve. Só que agora muda mais rápido. As ferramentas da modernidade, as novas armas do povo, fazem-nos estar mais perto de um grupo de manifestantes em Tóquio do que dos vizinhos do prédio em que vivemos. Ajudam-nos a encontrar no mundo aqueles que pensam como nós. Que a união faz a força, ninguém questiona. Hoje, ela é possível de forma mais rápida, mais simples e mais eficaz.

O protesto global do dia 15 de Outubro anunciava-se como apartidário, laico e pacífico. Salvo algumas excepções, o anúncio cumpriu-se. Unidos por uma mudança global, milhões de pessoas em todo o mundo decidiram que estavam cansados de apenas serem ouvidos de 4 em 4 anos, quando votam em alguém que rapidamente se esquece da real origem do seu poder e do verdadeiro propósito da sua eleição. O povo reclama justiça e transparência nas decisões políticas. O povo está cansado de corrupção, interesses e mentiras daqueles que desenfreadamente lutam pelo poder e pelo lucro. O descontentamento e o desespero do povo, combinados com o “momentum” global, podem ser incontroláveis e explosivos.

A contribuição portuguesa na revolta mundial do “15 de Outubro” traduziu-se em 30 movimentos de cidadãos em 9 cidades de Portugal. O povo começa agora a dar expressão à indignação que há muito sente. Quando vemos notícias como as que anunciam milhões de euros gastos em telemóveis e em carros para directores e administradores públicos, perguntamo-nos como é possível que as cadeias não estejam cheias de pessoas importantes. O sistema protege-se a si próprio e é urgente quebrar o “status quo”. Não podemos continuar sem dinheiro para um Serviço Nacional de Saúde fiel à sua criação quando os que decidem, esbanjam recursos em despesas de representação.

É perfeitamente entendível que, pessoas com responsabilidades públicas cometam erros. O que não é normal é que, sob uma impunidade que não se entende ou justifica, continuem a não ser responsabilizados pelos actos que, praticados consciente e levianamente, atentam contra a justiça social. Esta semana celebra-se o “Dia Internacional para a Irradicação da Pobreza”. Em Portugal, uma em cada cinco pessoas é pobre. O desespero é crescente. Sente-se no dia-a-dia um brutal decréscimo de tolerância de todos para com todos. As pessoas estão cansadas, indignadas e desesperadas.

“Senhores políticos… o povo precisa de sinais…"

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