Es.Col.A

Luis de Matos - Thursday, May 03, 2012 - Comentários (0)

O acto de ocupar um espaço ou construção abandonada, sem permissão dos seus proprietários legais, é conhecido como “okupa”. Esses actos nada mais são, na sua grande maioria, que invasões de propriedade. São mais comuns nas áreas urbanas e quase sempre encerram contornos de vandalismo, toxicodependência ou prostituição.

Nas últimas semanas foi notícia, e triste realidade, o abuso de poder e a insensibilidade da Câmara Municipal do Porto face ao “Es.Col.A”, o Espaço Colectivo Autogestionado do Alto da Fontinha.

A 10 de Abril de 2011, um grupo de pessoas ocupou a antiga escola primária do Alto da Fontinha, no Porto, até então devoluta e abandonada há mais de cinco anos pelo município que a devia manter. Depois de um mês de ocupação do espaço, a Câmara Municipal do Porto ameaçou o despejo violento e o emparedamento do edifício. Até nada parece estranho. O problema surge quando se percebe que o único crime que esse grupo cometeu foi o de pintar e recuperar a escola para aí organizar, gratuitamente, actividades escolares e culturais para a comunidade do bairro, afirmando desde a primeira hora que sairiam assim que os moradores quisessem. Rapidamente o colectivo bem feitor granjeou o apoio incondicional dos vizinhos. Desocupada e vandalizada desde há cinco anos, este singular grupo de cidadãos devolveu ao bairro da Fontinha algo de absolutamente vital suprimindo as necessidades que o poder eleito não entendia como básicas e primordiais.

Estes “ocupas” de formação académica e ideais solidários, com vocação de serviço público, organizavam regularmente, e com enorme participação da comunidade, actividades no âmbito do cinema, aprendizagem de inglês e espanhol, ateliers de pintura e leitura, aulas de apoio e explicações nas mais variadas áreas.

O comportamento da Câmara Municipal do Porto não poderia ser mais reprovável. Nas vésperas de mais uma comemoração do 25 de Abril, polícia armada, a mando de um poder eleito, destruiu tudo quanto pôde, não só trabalhos e mobiliário recuperado mas também o próprio edifício, das paredes ao telhado. A comunidade está revoltada e não entende. Em muitos outros edifícios transformados e antros de droga e prostituição não há coragem de encontrar soluções, porém, a renascida Escola da Fontinha pecou pela afronta de quem quer fazer bem o bem, sem sequer reclamar qualquer compensação que vá para além do prazer de um exercício de cidadania tão raro que até se estranha.

Dias antes de nos deixar, Miguel Portas dizia na rede social Facebook: “A Es.col.a da Fontinha, que tem um trabalho mais do que meritório com a população do bairro, está a ser despejada à bruta por uma cruzada de políticos idiotas. Que todas as boas vontades se juntem contra a estupidez. Já.” Palavras sábias e inspiradoras para a urgente necessidade de reinvenção da cidadania.

“CMP evoca 25 de Abril de forma “espectacular” e mediática …”

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