Felicidade

Luis de Matos - Thursday, May 31, 2012 - Comentários (0)

Em Coimbra, o poder do futebol tem mais encanto. Fora das grandes lutas de poder e das sempre “alegadas” negociatas, a Académica consegue reunir consensos e paixões que chegam a mover montanhas quase tão grandes como as da fé.  Ser da Académica é uma condição quase inata para aqueles que vivem a cidade ou os que para sempre a recordam por nela terem passado o mais memorável e irrepetível período das suas vidas.

No passado Domingo, o sonho de muitas gerações foi realidade. A Académica conquistou, pela segunda vez desde 1939 a Taça de Portugal ao derrotar o Sporting na final por 1-0, no Estádio Nacional. Sobre a mítica equipa de Coimbra tornou-se célebre a frase “Se jogasses no céu morríamos para te ver”. Foram muitos os que viveram o sonho de voltar a ver a taça viajar para Coimbra sem nunca chegar a poder celebrar essa glória. Neste dia vêm-me à memória aqueles que vi chorar e sofrer, sorrir e celebrar cada instante do clube dos estudantes. Recordo três de muitos milhares... o Senhor Armando Viana, o Dr. Júlio Condorcet e o carinhosamente chamado “pilas” que chegou a salvar o meu pé esquerdo com as suas milagrosas mãos.

Os eternamente estudantes embrulharam-se nas capas, de hoje e outrora, deixando que o espírito e a paixão tomasse conta do momento e exaltasse setenta e três anos de desejo no cumprimento de um sonho trangeracional. Entre gritos de vitória e académicos, os estudantes que viajaram até ao Jamor celebraram também a nostalgia de 69 e não se coibiram em fazer presente a luta estudantil da actualidade.

Num tempo que já não é o de antigamente, com uma equipa plenamente profissionalizada, é muito bonito e revelador ver as televisões referirem-se à Académica como “Os Estudantes”. Bonito porque o espírito se mantém e mais simbólico ainda pelo facto de não ser sequer necessário dizer de onde são esses estudantes.

Numa ocasião como esta é bom recordar e agradecer a todos quantos salvaram a Académica, a todos quantos fizeram seu o sofrimento do colectivo, enfim, a todos quantos, à sua maneira, contribuiram para manter a chama acesa.

De tudo quanto vi e ouvi, apenas uma nota negativa para a RTP que não resistiu a vergonhosamente aproveitar o embaraçoso momento da taça que teimava em se desmanchar nas mãos do Presidente da Académica. Como estação pública, e desejavelmente de referência, a RTP devia ter mantido a compostura e o respeito pelo momento de glória. Não era o sítio nem o momento para entrevistar José Eduardo Simões. O respeito institucional não deve sucumbir à graçola jornalística. O Presidente da Académica esteve muito bem e usou o momento para metaforizar a persistência e tenacidade do clube. Ainda assim, “shame on you” RTP.

Em Coimbra, à medida que o tempo passava uma multidão de apaixonados ia reunindo-se para celebrar o sonho. Já depois da meia-noite, a comitiva foi recebida com a força da circunstância e a pompa imposta pelo sonho feito realidade. Parabéns, Briosa!

“O dia com que há 73 anos muitas gerações sonhavam…”

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