Ilhas falsas

Luis de Matos - Thursday, November 03, 2011 - Comentários (2)

Numa audaz tentativa de redesenhar o planeta, o governo do Dubai iniciou em 2003 a construção de um novo mundo, ou pelo menos, parte dele. Chama-se “The World” e é uma colecção de ilhas artificiais, num arranjo que simula os cinco continentes, situadas na costa do Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. No total são 300 pequenas ilhas privadas divididas em diversas categorias, seja pelo preço ou pelas funções a que se destinam.

A área das ilhas que compõem este arquipélago artificial, separadas entre si por uma distância média de 100 metros, varia entre 14.000 e 42.000 metros quadrados. Na sua construção foram utilizados 321 milhões de metros cúbicos de areia e 31 milhões de toneladas de pedra. No total foi criada, do zero absoluto, uma distância de costa superior a 230 quilómetros.

Mas a audácia dos dirigentes do Dubai não se fica por aqui. Depois de sonharem e terem feito acontecer o “The World”, está já planeado e projectado o “The Universe”. Trata-se igualmente de um arquipélago artificial, desta vez gigantesto, que inclui o “The World”, e que, visto do céu, tem uma forma semelhante à da via láctea e do sistema solar em todo o seu esplendor. Anuncia-se que esteja concluído entre 2023 e 2028.

Quando está na moda falar-se da pegada humana no planeta, eis senão quando, o impensável se torna realidade. Quando diariamente nos chamam à atenção para o facto de que quando comemos um ovo, não estamos apenas a comer um ovo e que deveríamos ter em conta que também somos responsáveis por todos os recursos naturais que foram usados para que o ovo cozinhado chegasse até nós, perguntamo-nos o que deveria ser dito na extravagante circunstância do Dubai. O que será mais importante? O facto de comermos entre 10 e 20 mil ovos ao longo das nossas vidas ou o facto de permanentemente tentarmos enganar a natureza?

O “The World” pode até ser um destino único, um paraíso feito realidade. Mas quantas vezes será necessário que a natureza nos relembre que não devemos fazer batota? Há muitos anos li um artigo em que o seu autor comparava a nossa existência no planeta à de uma tripulação que ainda não havia encontrado o livro de instruções para a nave espacial que estava a conduzir. Mais vezes do que aquelas que quereria me recordo de tal metáfora. Dói perceber que, se os recursos globais do planeta fossem distribuídos por todos os que por cá andamos, este mundo seria certamente um mundo melhor.

Mas atenção, ainda em relação ao “The World”, já algumas vozes se levantam dizendo que as jubilantes ilhas estão a afundar-se...

“No Dubai talvez o céu seja o limite, o mar não é com certeza…”

Comentários (2)
Anonymous commented on 09-Nov-2011 04:14 PM
O Luís de Matos é um fenómeno da Natureza. Deus fez um e deitou o molde fora.
Aracelis commented on 19-Sep-2013 03:30 AM
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