Ilusão que cura

Luis de Matos - Thursday, October 27, 2011 - Comentários (1)

Todos conhecemos a técnica dos comprimidos de farinha que, nas circunstâncias correctas, fazem milagres. Placebo é o nome dado a um fármaco ou procedimento cujos efeitos terapêuticos se devem aos efeitos fisiológicos da convicção do paciente que acredita estar a ser tratado. É um truque absolutamente extraordinário que leva o nosso cérebro a fazer com que algo, cujo valor terapêutico é zero, nos faça, de facto, sentir melhor. Basicamente, o placebo reduz a ansiedade do paciente, invertendo assim uma série de respostas orgânicas que dificultam a cura espontânea.

Na prática, não há dúvida que nos sentiremos melhor se verdadeiramente acreditarmos que essa é a função específica de um tratamento. O poder associado pelo paciente a determinado placebo pode até chegar a criar dependência do mesmo. O efeito placebo pode ser tão forte e eficaz que, há mesmo uma corrente de opinião que defende a sua irradicação do desporto de alta competição.

Académicos da Universidade de Nottingham descobriram, acidentalmente, que uma determinada ilusão podia reduzir significativamente, ou mesmo irradicar de forma temporária a dor da artrite na mão. A ilusão consiste em o doente ver os seus dedos a serem esticados ou encolhidos sem quem sinta qualquer tipo de dor.

A máquina desenvolvida e utilizada nesta pesquisa filma a imagem da mão do doente, processa-a no sentido de parecer que algo está a acontecer, por exemplo, a um dedo e re-envia simultaneamente esse sinal de vídeo para aquilo que parece apenas ser um vidro que separa o olhar do paciente da sua respectiva mão. Na verdade, o aparente vidro integra um complexo sistema de espelhos que faz com que a ilusão seja perfeita e o “truque” indetectável. O doente vê, de facto, e sem dor, o seu dedo a ser esticado e encolhido. Algo que, na sua condição nunca suspeitaria ser sequer possível.

Os resultados do estudo foram surpreendentes, tendo os pesquisadores sido capazes de reduzir para metade a dor sentida por oitenta e cinco por cento dos doentes que testaram. A equipa de investigação da Universidade de Nottingham acredita que esta experiência pode abrir novos caminhos na redução da dor que determinados pacientes sentem ao submeterem--se a fisioterapia.

Já todos experimentámos a forma como o cérebro processa determinado tipo de informação e como esta se relaciona com a dor que sentimos. Quantas vezes nos cortámos e só sentimos o quanto dói depois de ver o sangue à flor da pele. Num mundo onde o desenvolvimento tecnológico é tão veloz, continua a ser surpreendente verificar como a nossa condição pode ser tão susceptícel a uma simples ilusão.

“Já a minha avó dizia… a boa fé nos salve!”

Comentários (1)
Luis Magalhaes commented on 29-Oct-2011 03:48 PM
Realmente comprova-se o poder da mente. Aconselho-te a leitura do livro "O teu Corpo não Mente", caso ainda nao o tenhas lido. 1 abraço LM

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