Impunidade pública

Luis de Matos - Thursday, October 06, 2011 - Comentários (1)

Todos sabemos como é bom viver numa sociedade onde liberdades, direitos e garantias são herdadas sem aparente dor ou trabalhos forçados. Falo daqueles que, como eu, já nasceram num Portugal livre e democrático. Talvez por isso, ao não termos tido que lutar por elas, muitas coisas não nos indignem. Mesmo assim, há limites. Limites que, uma vez atingidos, nos enchem de revolta. Limites que quem tem responsabilidades públicas não deveria sequer conceber ou tolerar e muito menos ousar ultrapassar.

Sabemos que, se não pagarmos os nossos impostos, sofremos as consequências que se convencionaram. Ao mesmo tempo, assistimos a detentores de cargos públicos serem impunes protagonistas das mais atrozes vigarices e roubos ao herário público. É assim num estado de leis suaves e de outras que só se cumprem para alguns. Sorrimos ou encolhemos os ombros quando lemos e ouvimos histórias sobre aqueles que, apesar de terem chegado a cargos importantes, nunca deixaram de ser chicos espertos com coluna vertebral gelatinosa.

Infelizmente é assim, dia sim, dia não. Depois vêm as eleições, pedem que votem neles e nós votamos. Não importa se roubaram ou foram condenados, não importa se fugiram para outras bandas para que a polícia não lhes possa deitar a mão. Nenhum perde o sorriso público ou o discurso honesto que tresanda a mentira. São mercenários vestidos de anjo e fazem-se acompanhar do salvo-conduto que o nosso “encolher de ombros” lhes confere.

Provavelmente teremos todos que abdicar de algumas garantias para sonhar que o combate à corrupção possa, quem sabe, fazer-se com alguma eficácia. Já percebemos que não vamos lá com retórica ou com a ingénua esperança de que quem manda seja honesto por definição ou inerência do cargo. A dívida da Madeira é paradigmática. Um exemplo de que não importa a dimensão da aberração, sempre haverá quem a entenda ou tente justificar sem qualquer receio de ouvir alguém a gritar “o Rei vai nu!”.

E nós cá continuamos… vemos os telejornais como se de histórias de ficção se tratem, enredos de série de televisão que fala de um país distante num qualquer planeta imaginário. O nosso subconsciente não aceita que certas personagens existam de verdade e, automaticamente, pensa que certos protagonistas são simplesmente, na vida real, actores honestos que, de tão talentosas que são, parecem existir de verdade.

“Os maus da fita não são actores… existem e têm que ser punidos!…” 

Comentários (1)
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