Pirata

Luis de Matos - Thursday, February 02, 2012 - Comentários (1)

O termo “pirata” foi primeiramente usado por Homero, na Grécia antiga, na sua Odisseia. O vocábulo descreve os marginais que, sozinhos ou em grupo, cruzavam os mares com o objectivo de promover saques e pilhagens a navios e cidades, obtendo riqueza e poder. O vocábulo acompanhou a evolução do mundo e a sua utilização diversificou-se. Para além do universo da nossa imaginação, conhecemos hoje outras formas de especialização nesta área do crime, como os piratas do ar, os informáticos e tantos outros.  A pirataria, considerada por muitos como o crime do século XXI, movimenta actualmente mais recursos que o próprio narcotráfico, e é uma forma de crime financiada, em grande parte, por grandes grupos organizados e máfias internacionais.

Está na altura de olhar à volta e perceber que, desta vez, e já há muito tempo, somos nós que estamos a ser roubados. O roubo está a acontecer de forma desmedida mesmo debaixo das nossas barbas e com proporções tão óbvias e gigantestas que chegamos a ter alguma dificuldade em acreditar. A realidade a que me refiro é a da Ilha da Madeira e do seu grande capitão Alberto João Jardim. Como é possível que alguém seja responsável por uma dívida de 6.000 milhões de euros e continue em liberdade? Como é possível que alguém faça uma gestão tão ruinosa dos dinheiros públicos e não seja castigado? Pior ainda, como é possível que um verdadeiro mercenário continue a ser eleito pelo povo?

Os que leram o livro “Suite 605”, de João Pedro Martins, estarão certamente familiarizados com a história secreta de centenas de empresas que, na Zona Franca da Madeira, têm a sua sede fiscal numa sala de cem metros quadrados e que, não criando um único posto de trabalho, levam, entre outras coisas, a que a Madeira perca o acesso a fundos comunitários devido ao seu artificialmente empolado PIB. Nessa grande investigação ao offshore da Madeira, são explicados de forma simples, clara e arrepiante todos os truques feitos na Zona Franca da Madeira para fugir aos impostos. No meio de tanto nojo e ruína, que todos nós estamos e estaremos a pagar, os únicos que esfregam as mãos de satisfação são meia dúzia de indivíduos, normalmente com ligações a João Jardim, e que lucram directamente com os esquemas das centenas (sim, centenas) de empresas fantasmas. Alguns desses senhores são os mesmos que ocupam lugares de chefia nas direcções regionais dos assuntos fiscais e outras e que continuam intocáveis, apesar de acusados de variadíssimos crimes de fraude fiscal qualificada, de fraude contra a segurança social e branqueamento de capitais.

Quando uma empresa acumula prejuízos até ao ponto de ser inviável, fecha. Quando alguém não paga a conta da luz, água ou telefone, os serviços são cortados. Basicamente, quando alguém rouba vai para a cadeia, sobretudo se pertencer ao povo. A regra parece ser simples de entender e suficientemente clara para que os intervenientes em cada um dos exemplos sejam, mais ou menos, induzidos a cumprir o estabelecido. Será que 6.000 milhões de dívida não é um valor suficientemente elevado para que alguém vá para a cadeia?

“Uma ilha onde o capitão Jack Sparrow se sentiria entre colegas…”

Comentários (1)
Helena Silva commented on 05-Mar-2012 06:37 PM
Não podia concordar mais. Casos como este, do Sr. Alberto joão Jardim, há muitos e eu como cidadã do mais comum que existe, sinto uma grande frustração e impotência por não puder fazer nada. Se a maioria das pessoas continua a votar neles... em alguns
votam por causa do charme, outros por causa do emprego e assim vamos andado. Tem alguma fórmula mágica?

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