Uma das mais notáveis características do ser humano passa pela sua capacidade de adaptação. As circunstâncias que teimam em assumir o controle da vida de cada um de nós determinam inevitavelmente o nosso dia-a-dia. Quando essas nos são absolutamente favoráveis quase nem pensamos na maneira como influenciam a nossa forma de ver e entender o que nos rodeia. Quando são menos simpáticas quase sempre caímos na tentação de maldizer a nossa sorte, esquecendo-nos de que o tempo gasto nessas lamúrias seria bem mais útil se utilizado em aceitar uma determinada realidade, porventura menos agradável, e tudo fazer com que possa acabar por ter consequências positivas se correctamente interpretada e convertida em aprendizagem.
Sou dos que acreditam que tudo se perde na vida menos o que aprendemos. Empiricamente ou através de estudo continuado, é o que diariamente aprendemos que nos transforma no que somos. Recordo sempre que um dos mais ameaçadores momentos que vivi, acabaria por ser decisivo na forma como sinto o que me rodeia. Sofri um brutal acidente aos vinte e três anos de idade. Saí ileso e mais forte. A imortalidade que se perde aos quarenta anos fugiu-me das mãos a caminho dos estúdios da RTP Porto. Percebi nesse dia que, a qualquer instante, a nossa vida pode mudar irreversível e irreparavelmente. Acho que nesse dia passei a ser melhor pessoa, a respeitar mais os que me rodeiam e, acima de tudo, aprendi a tentar ser digno da experiência maravilhosa que é estarmos vivos.
O nome que hoje dá título a esta página é de alguém que também teve um acidente de automóvel. René Lavand, argentino de oitenta e três anos, sofreu o acidente aos nove de idade, altura em que já contava com dois anos de experiência como amador de magia. Perdeu a mão direita. O pai disse-lhe que era o fim dos seus truques de cartas. Disse-lhe ainda que nunca mais na vida iria poder transportar dois baldes, apenas um. René prometeu a si mesmo perseguir o seu sonho e, quem sabe, chegar a conseguir pagar a alguém que transportasse ambos os baldes. Hoje, René é um dos maiores e mais respeitados mestres da magia mundial. A sua vida é um exemplo de constante adaptação e de uma perseverança absolutamente inspiradora.
Falo-vos dele por hoje ter acabado um documentário sobre a sua carreira e as suas criações. Trabalho que inclui um espectáculo de enorme grandeza apresentado, para convidados, no Palácio Nacional da Ajuda. Passa assim a ser o terceiro mágico a apresentar as suas sortes naquele espaço. O primeiro foi “The Great Herman” (1885) e o segundo este V. servidor (2006). René Lavand garante, assim, que o seu exemplo e o seu talento perdurarão no tempo e não deixarão de a todos inspirar.
Recordam-se da metáfora do copo de água? Vale sempre a pena achar que está meio cheio. A vida sabe melhor e fazemos mais felizes os que connosco a partilham.
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Comentários (2)
Sopas. Uma atitude lamentável!
o autor do texto só nao referi pois queria ver a sua reacção de indignado neste caso vindo como na escola primaria fazer uma queixinha que nao o levara a lado nenhum se ficou feliz por o fazer muito bem mas se pensa que me prejudica ao fazê-lo esta muito enganado
e pense que a vida é demasiada curta para andar a fazer este tipo de queixinhas tenha a continuação de uma boa noite.
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