Star

Luis de Matos - Thursday, April 12, 2012 - Comentários (0)

Talvez poucos saibam que foi como “Disc Jockey”, na discoteca “Star”, que este V. amigo começou a ganhar a vida na segunda metade dos anos oitenta. Ainda menos saberão que as minhas primeiras idas ao dito local de diversão noturna aconteceram em fuga, sem a autorização dos “encarregados de educação”. Claro está que ajudava o facto de viver numa casa térrea, com janelas para a via pública, a cerca de 20 minutos daquele mítico estabelecimento, na Serrada da Mata, em Chão de Couce, e, ainda, o facto de ter por hábito fechar a porta do quarto por dentro, antes de ir dormir. Sábado à noite era dia de, em segredo, ir ter com os amigos à “Star”. Até aqui nada de especial, para além da confissão pública que já nem sequer deverá surpreender os meus pais.

Depois de uma temporada como “cliente”, e já do alto dos meus 16 anos, com uma promissora carreira na “Rádio Nexebra”, a melhor rádio pirata de todos os tempos, foi altura de assumir funções de “Disc Jockey”. Era uma altura em que a lei do trabalho não era propriamente levada à risca e em que era mais seguro ir à noite à discoteca do que, hoje em dia, ir à baixa fazer compras pela manhã. A “Star” abria duas vezes por semana. Sábado à noite e Domingo à tarde era sagrado... todos por lá nos encontrávamos! Durante muito tempo o meu ritual passava por ir umas horas antes da abertura de portas para escolher e ordenar os vinis. Pequenos, grandes, de 33 e de 45 rotações, singles, maxi-singles, LPs ou edições de coleccionador, todos serviam para tentar prever o alinhamento de cada sessão. Tudo isto há sensivelmente 25 anos, num tempo pré-internet, muito antes de se sonhar com computadores pessoais com capacidades que pudessem ir para além do ZX Spectrum que só alguns haviam então tido já o prazer de ver.

Nesta páscoa, sexta-feira passada, dia 6 de Abril, aconteceu algo verdadeiramente mágico. O actual Presidente da Câmara de Ansião, o Dr. Rui Rocha, teve uma adolescência que também se cruzou com a Discoteca Star, tendo nela igualmente exercido funções de “Disc Jockey”. Há uns meses teve a ideia de organizar um encontro público de passados comuns e privados sob a tónica de uma nostalgia que, por vezes, receamos celebrar. O que somos hoje é fruto do que vivemos no passado. Repetidamente estamos preocupados com o dia de amanhã e nem sequer nos reservamos um instante para celebrar a sorte, as escolhas ou as vivências que fizeram de nós o que hoje somos.

No evento “Remember Star”, seis dos past DJs da Star, onde orgulhosamente me incluo, foram responsáveis por manter na pista as cerca de seiscentas pessoas que contribuíram para que a noite fosse mágica. Pessoas sérias e responsáveis de hoje resolveram tirar do armário os adolescentes que outrora foram. Trouxeram a família e os filhos, recordaram paixões, esqueceram rivalidades e traições, permitiram uma celebração única, saudável e memorável que todos desejam que se repita. A crise também se combate assim. Com criatividade e memória.

“Qual jantar de curso, qual álbum de família… Remember Star foi Magia!”

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